RESPIRAÇÃO ORAL E DISFONIA INFANTIL, EXISTE RELAÇÃO?

Keyla Roberta Beninca, Tatiane Vieira da Silva

Resumo


A voz é a ferramenta mais importante para a comunicação humana. Através dela é possível transferir sentimentos, emoções, identidade e personalidade de quem fala. Suas desordens podem ser causadas por etiologias diferentes e uma delas é a respiração oral que tem grande impacto na vida dos indivíduos. Esse estudo tem o objetivo de verificar a incidência de disfonia infantil em respiradores orais. Trata-se de um estudo qualitativo com caráter explicativo, realizado na Escola Municipal Loise Foltran de Lara, do Município de Ponta Grossa, no Paraná. Foram convidados a participar dessa pesquisa indivíduos com idade de 8 a 10 anos e realizadas triagens em 100 crianças. Cada uma realizou triagem de motricidade oral e voz para confirmar os casos de respiração oral e disfonia. Como resultado obteve-se grande incidência de alterações em motricidade orofacial, voz, respiração e fala.Existem muitas pesquisas que abordam o tema de respiração oral e disfonia infantil, porém não os relacionam. Esta pesquisa surgiu com o intuito de esclarecer essa relação e assim favorecer o diagnóstico precoce em crianças em idade escolar. Com o diagnóstico precoce é possível orientar pais e equipe escolar sobre os prejuízos e as medidas a serem tomadas com relação à respiração oral e à disfonia infantil e assim garantir um tratamento eficaz.

Texto completo:

PDF

Referências


BEHLAU, M. Voz: O livro do Especialista. Rio de Janeiro: Revinter, 2008.

BEHLAU, M.; PONTES, P. Avaliação e tratamento das disfonias. São Paulo: Lovise, 1995.

CÂMARA, L.B.V.; ASSENCIO-FERREIRA, V.J. Efeitos da constrição anteroposterior na voz. Revista CEFAC. Taubaté, 2000; 2(2): 97-101. Disponível em: . Acesso em 08 Ago 2016.

CAMARGO, T. N., et al. Avaliação de impeditivo resinoso para o hábito de onicofagia. Revista Pró-UniverSUS, v. 6, n. 3, p. 49-53, 2015

CAMPANHA, S. M. A.; FREIRE, L. M. S.; FONTES, M. J. F. O impacto da asma, da rinite alérgica e da respiração oral na qualidade de vida de crianças e adolescentes. Revista CEFAC,v. 10, n. 4, p. 513-9, Taubaté, 2008. Disponível em: . Acesso em 08 Ago 2016.

CARVALHO, G. D. SOS respirador bucal: uma visão funcional e clínica da amamentação. Lovise, 2003.

CHEDID, K. A. K.; FRANCESCO, R. C.; JUNQUEIRA, P. A. de S. A Influência da Respiração Oral no processo de Aprendizagem da Leitura e Escrita em crianças pré-escolares.Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia, São Paulo: 2004. Disponível em: . Acesso em 15 ago 2016.

CORREA, M. C. C. S. F.; LERCO, M. M.; HENRY, M. A. C. de A. Estudo de alterações na cavidade oral em pacientes com doença do refluxo gastroesofágico. 2008. 5 f. Monografia (Especialização) - Curso de Medicina, Faculdade de Medicina de Botucatu, Botucatu, 2008.

CZLUSNIAK, G. R.; CARVALHO, F. C.; OLIVEIRA, J. P. de. Alterações de motricidade orofacial e presença de hábitos nocivos orais em crianças de 5 a 7 anos de idade: Implicações para intervenções fonoaudiológicas em âmbito escolar. Revista Publicaccio UEPG Ciências Biológicas e Saúde, Ponta Grossa, v. 4, n. 1, p.29-39, mar. 2008.

D’AVILA, J. S.; SETTON, A. R. F.; AVILA, D. V. D’. Embriologia e Anatomia da Laringe. In: CALDAS NETO, S., et al. Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial. 2. ed. São Paulo: Editora Roca, 2011. Cap. 42, p. 749.

FRANCESCO, R. C. Di, et al. Respiração oral na criança: repercussões diferentes de acordo com o diagnóstico. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, São Paulo, v. 70, n. 5, p.665-670, out. 2004.

GAMPEL, D. Disfonia Infantil:Um enfoque social. VII Manual de Otorrinolaringologia Pediátrica da IAPO. São Paulo, Editora gráfica e vida, p. 263-266, 2008.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GINDRI, G; CIELO, C. A.; FINGER, L. Disfonia por nódulos vocais na infância. Revista Salusvita, v. 27, n. 1, p. 91-110, 2008.

GOULART, B. N. G. de; CHIARI, B. M.. Prevalência de desordens de fala em escolares e fatores associados. Revista de Saúde Pública, Rio Grande do Sul, v. 5, n. 41, p.726-731, 2007.

KAJIHARA, O. T.; NISHIMURA, C. M.. Respiração oral: um fator que pode prejudicar a aprendizagem da matemática. Série-estudos - Periódico do Programa de Pós-graduação em Educação da Ucdb, Campo Grande, n. 33, p.101-118, jan/jul. 2012.

LACK, G. Pediatric allergic rhinitis and comorbid disorders. Journal of Allergy and Clinical Immunology, New York, v. 108, n. 1, S9-S15, July 2001.

LEITE, A. P. D. AVALIAÇÃO VOCAL E FONOLÓGICA DE CRIANÇAS COM HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO.2014. 166 f. Tese (Doutorado) - Curso de Fonoaudiologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2014.

LIMA, WIGNA RAYSSA PEREIRA et al. RESSONANCIA VOCAL DE CRIANÇAS COM RESPIRAÇÃO ORAL. 2015.

MARCHESAN, I.Q. - Avaliação e terapia dos problemas da respiração. In: MARCHESAN, I.Q. Fundamentos em fonoaudiologia: aspectos clínicos da motricidade oral. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1998. p. 23-36.

MARIEB, E. N.; HOEHN, K. Anatomia e fisiologia. Artmed Editora, 2009.

MARTINS, S. Disfonia infantil: terapia. Niterói: Revinter, 1998.

MARTINS, A. F. Caracterização perceptivo-auditiva da fonte glótica de um grupo de crianças sem queixa vocal [tese]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 2002.

MARTINS, R. H. G.; TRINDADE, S. H. K.. Criança disfônica: diagnóstico, tratamento e evolução clínica. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, São Paulo, v. 69, n. 6, p.801-806, set/out. 2003.

MELO, E. et al. Disfonia infantil: aspectos epidemiológicos. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, São Paulo, v. 67, n. 6, p.804-807, dez. 2001.

MINAYO, Maria. C. S (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

MOCELLIN, L. Alteração oclusal em respiradores bucais. Jornal Brasileiro de ortodontia ortop. maxilar, v. 2, n. 7, p. 45-8, 1997.

NASCIMENTO FILHO, E., et al. A respiração bucal é fator de risco para cárie e gengivite? Revista Brasileira Alerg. Imunopatologia, São Paulo, v. 26, n. 6, p.243-249, 2003.

OLIVEIRA, I. B. Avaliação fonoaudiológica da voz: reflexões sobre condutas, com efoques à voz profissional. In: Ferreira LP, Befi-Lopes DM, Limongi SCO. Tratado de fonoaudiologia. São Paulo: Roca, 2004. p.11-24.

OLIVEIRA, R., et al. Análise perceptivo-auditiva, acústica e autopercepção vocal em crianças. Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, v. 23, n. 2, p. 158-63, 2011.

PAES, C., VIEIRA, J., LEONEL, T., CUNHA, D. A. O impacto da respiração oral no comportamento vocal. Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. 2005;5(23):417-23.

PARADISE, J. L, et al. Assessment of adenoidal obstruction in children: clinical signs versus roentgenographic findings.JournalPediatrics, Illinois, v. 101, n. 6, p. 979-986, June 1998.

PINHO, S. M. R. Fundamentos em fonoaudiologia: tratando os distúrbios da voz.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1998.

PRESCOTT, C. Nasal obstruction in infancy. Archives of Disease in Childhood, London, v. 72, n. 4, p. 287-289, Apr. 1995.

QUELUZ, D.; GIMENEZ, C. M. M. A síndrome do respirador bucal. Revista do CROMG, v. 6, n. 1, p. 4-9, 2000.

RABELO, A. T. V. Prevalência de alterações fonoaudiológicas em crianças de 1ª a 4ª série de escolas públicas da área de abrangência de um centro de saúde de Belo Horizonte. 2010. 93 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.

REHDER, M.I. Inter-relações entre voz e motricidade oral. In: FERREIRA, L.P.; BEFI-LOPES, D. M.; LIMONGI, S. C. O. (org). Tratado de fonoaudiologia. São Paulo: Roca; 2004. p.59-64.

RIBEIRO, F., et al. Respiração Oral: alterações oclusais e hábitos orais. Revista Cefac, Taubaté, n. 4, p.187-190, jun. 2002.

SKONER, D. P.Allergic rhinitis: Definition, epidemiology, pathophysiology, detection, and diagnosis. Journal of Allergy and Clinical Immunology, New York, v. 108, n. 1, p. S2-S8, July 2001.

STOKES, N.; MATTIA, D. D. A student research review of the mouthbreathing habit: discussing measurements methods, manifestations and treatment of the mouthbreathing habit. Probe. 1996; 30: 212-4.

TAKESHITA, T., et al. Comportamento vocal de crianças em idade pré-escolar. Arq. Int. Otorrinolaringologia, v. 13, n. 3, p. 252-8, 2009

TAVARES, J. G.; SILVA, E. H. de A. A. da. Considerações teóricas sobre a relação entre respiração oral e disfonia. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, São Paulo, v. 4, n. 13, p.405-410, jan. 2008.

TSUJI, D. H.; CHUNG, D. Causas de obstrução nasal.Conhecimentos essenciais para entender bem a respiração oral. São José dos Campos, Editora Pulso, p. 91-100, 2003.

VIEGAS, D., et al. PARÂMETROS ESPECTRAIS DA VOZ EM CRIANÇAS RESPIRADORAS ORAIS. Revista Cefac, Taubaté, v. 6, n. 8, p.1-11, maio 2010.

VINUELA, L. P. Rinite alérgica em pediatria. In: SIH, T.; CHINSKI, A.; EAVEY, R. III Manual de otorrinolaringologia pediátrica da IAPO. São Paulo: International Association of Pediatric Otorhinolaryngology, 2003. p. 133-139.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.