AS CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS E OS PREJUÍZOS NA QUALIDADE DE VIDA DA MULHER QUE SOFREU VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DO SEU PARCEIRO

Ana Carolina Dobruski Ditzel, Kelly de Lara Soczek

Resumo


O presente estudo aborda o tema da violência doméstica, aqui referida como aquela que ocorre dentro do lar,tendo a mulher sido violentada/agredida por seu parceiro conjugal. A violência gera consequências na saúde dessa mulhere uma das preocupações são os traumas psicológicos que podem surgir, interferindo no seu cotidiano. Levando isso em consideração, o objetivo desse estudo foi averiguar os prejuízos na qualidade de vida e possíveis consequências psicológicas ocorridas em mulheres que sofreram violência doméstica por parte de seus parceiros, identificando o nível de ansiedade e depressão e também caracterizandoo perfil dessas mulheres.Trata-se de um estudo quantitativo de caráter descritivo. A amostra foi composta por sete mulheres que efetuaram denúncia de seu parceiro na Delegacia da Mulher do município de Ponta Grossa. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se os instrumentos: ficha para levantamento de dados Sociodemográficos,Escala HAD para avaliação do nível de ansiedade e depressão e o WHOQOL-bref para avaliação da qualidade de vida.A análise dos resultados obtidos se deu através da técnica de estatística descritiva.Os dados demonstram que 86% da amostra estudada apresentou baixa probabilidade de desenvolvimento de sintomas de depressão e, em relação a ansiedade, o número de participantes com probabilidade de desenvolvimento de sintomas e o número de participantes que não demonstram essa possibilidade foram iguais (43%). Tais dados contrariam os dados encontrados na literatura acerca do tema. Em relação aos resultados do WHOQOL-bref, a amostra apresentou altos escores nos domínios avaliados pelos instrumento, indicando boa percepção acerca da satisfação com aspectos de suas vidas. A avaliação da percepção de Qualidade de Vida também apresentou escores elevados, demonstrando que as mesmas estão satisfeitas em relação a isso. Conclui-se que este trabalho é relevante para fomentar as discussões que ocorrem na sociedade, trazendo contribuições para as diversas áreas que trabalham com essa problemática, principalmente para os profissionais da área de psicologia.


Texto completo:

PDF

Referências


ADEODATO, Vanessa Gurgel et al. Qualidade de vida e depressão em mulheres vítimas de seus parceiros. Revista de Saúde Pública, Ceará, v. 39, n. 1, p.108-113, abr. 2005.

ALMEIDA, Marco Antonio Bettine; GUTIERREZ, Gustavo Luis; MARQUES, Renato. Qualidade de Vida. São Paulo: Each, 2012. 142 p.

AMARAL, Adriana Aparecida Guirra. Considerações sobre os Transtornos Ansiosos na Infância em uma Visão Comportamental. 2011. 62 f. Monografia (Especialização) - Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento, Brasilia, 2011.

ATALLA, Andréa Direne; AMARAL, Sérgio Tibiriça. Violência Doméstica contra a Mulher: Aspectos econômicos, sociais, psicológicos e políticos do agressor e da vítima. P. 1-10. 2009.

BANDEIRA, Lourdes Maria. Violência de gênero: a construção de um campo teórico de investigação. Sociedade e Estado, Brasilia, v. 2, p.449-469, ago. 2014.

BIANCHINI, Alice. Os ciclos de violência contra a mulher e o perdão: série novela Fina Estampa. 2012. Disponível em:. Acesso em: 10 out. 2016.

BIELLA, Janize Luzia. Mulheres em situação de violência: Políticas Públicas, Processo de Empoderamento e a Intervenção do Assistente Social.. 2005. 78 f. TCC (Graduação) - Curso de Serviço Social, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005.

BITTAR, Danielle; KOHLSDORF, Marina. Ansiedade e depressão em mulheres vítimas de violência doméstica. Psicologia Argumento, Curitiba, v. 31, n. 74, p.447-456, set. 2013.

BRASIL, Cadernos de Atenção Básica. Ministério da Saúde. Violência Intrafamiliar: orientação para a Prática em Serviço. Brasília, 2002.

BRASIL. Lei n° 11.340/2006, artigo 7. Formas de Violência. Disponível em: Acesso em: 10 de agosto, 2016.

CASSADO, Desirée da Cruz. Incidência do distúrbio de Estresse Pós-Traumático em mulheres vítimas de Violência Doméstica. Dezembro, 2003.

COSTA, Lila Maria; ZUCATTI, Ana Paula Noronha; DELL’AGLIO, Débora Dalbosco. Violência contra a mulher: levantamento dos casos atendidos no setor de psicologia de uma delegacia para a mulher. Estudos de Psicologia, Rio Grande do Sul, v. 2, n. 28, p.219-227, jun. 2011.

DAY, Vivian Peres et al. Violência doméstica e suas diferentes manifestações. Revista Psiquiatria, Rio Grande do Sul, v. 25, p.9-21, abr. 2003.

DEEKE, Leila Platt et al. A Dinâmica da Violência Doméstica: uma análise a partir dos discursos da mulher agredida e de seu parceiro. Saúde Soc., São Paulo, v. 18, n. 2, p.248-258, ago.

DEL PRIORE, Mary. Ao sul do corpo. São Paulo, 1990.

DUTRA, Maria de Lourdes et al. A configuração da rede social de mulheres em situação de violência doméstica. Ciência & Saúde Coletiva, São Paulo, v. 18, n. 5, 2013.

FLECK, Marcelo Pa et al. Aplicação da versão em português do instrumento abreviado de avaliação da qualidade de vida “WHOQOL-bref. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 34, n. 2, p.178-183, abr. 2000.

FONSECA, Denire Holanda; RIBEIRO, Cristiane Galvão; LEAL, Noêmia Soares Barbosa. Violência doméstica contra a mulher:realidades e representações sociais. Psicologia & Sociedade, João Pessoa, v. 24, p.307-314, fev. 2012.

FONSECA, Paula Martinez; LUCAS, Taiane Nascimento Souza. Violência doméstica contra a mulher e suas consequências psicológicas. 2006. 21 f. TCC (Graduação) - Curso de Psicologia, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Salvador, 2006.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo: Atlas S.a, 2008. 200 p.

GOMES, Rilzeli Maria. Mulheres vítimas de violência doméstica e Transtorno de Estresse Pós-Traumático:um enfoque Cognitivo-Comportamental. Revista de Psicologia da Imed, Cuiabá, v. 4, n. 2, p.672-680, dez. 2012.

GREVET, Horácio Eugêncio; CORDIOLI, Aristides Volpato; FLECK, Marcelo P.A. Depressão Maior e Distimia: diretrizes e algoritmo para o tratamento farmacológico. 2005.

GROSSI, Miriam Pillar. Novas/velhas violências contra a mulher no Brasil. Estudos feministas, 1994.

GUIMARÃES, Maisa Campos; PEDROZA, Regina Lucia Sucupira. Violência contra a Mulher: problematizando definições teóricas, filosóficas e jurídicas. Psicologia & Sociedade, Brasilia, p.256-266, 2015.

LEITE, Maria Suzana Souza. Lei Maria da Penha: o desafio de sua execução frente às falhas do Estado. Sociol. Polít., Maranhão, p.1-8, ago. 2013.

LEVATTI, Giovanna Eleutério. Um breve olhar acerca do Movimento Feminista. Bauru, 2011.

LIMA, Mari Anna Tavares. Violência de Gênero e Qualidade de Vida. 2011. 107 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Enfermagem, Centro de Pós-graduação e Pesquisa, Guarulhos, 2011.

MANUAL DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS: DSM-V. 5° ed, Porto Alegre: Artmed, 2014.

MILANEZ, Cinthia. Violência doméstica: por medo de se expor, classes A e B denunciam menos. 2016. Disponível em: . Acesso em: 08 out. 2016.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. Conceitos, teorias e tipologias de violência: a violência faz mal à saúde. In: NJAINE, Kathie; ASSIS, Simone Gonçalves; CONSTANTINO, Patrícia. IMPACTOS DA VIOLÊNCIA NA SAÚDE. Brasil: Fiocruz, 2010. p. 4.

MINAYO, Maria Cecília de Souza; HARTZ, Zulmira Maria de Araújo; BUSS, Paulo Marchiori. Qualidade de vida e saúde: Um debate necessário. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 1, n. 5, p.7-18, 2000.

MINAYO, Maria Cecília. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Ciência & Saúde Coletiva, Brasil, v. 5, n. 1, p.7-18, 2000.

MORAIS, Ariane Cedraz. Depressão em mulheres vítimas de violênciadoméstica. 2009. 128 f. Monografia (Especialização) - Curso de Enfermagem, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009.

MORAIS, Carlos Mesquita. Escalas de Medida, Estatística Descritiva e Inferência Estatística. 2005. 29 f. Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, 2005.

MOZZAMBANI, Adriana Cristine Fonseca et al. Gravidade psicopatológica em mulheres vítimas de violência doméstica.Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul – Aprs, Rio Grande do Sul, v. 1, n. 33, p.43-47, maio 2011.

NERY, Fernanda Sampaio. Avaliação da Ansiedade e Depressão em indivíduos portadores de desordem temporomandibular. 2007. 102 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Odontologia, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2007.

Núcleo de Estudos da Violência. Organização Mundial de Saúde. Relatório Mundial sobre a Prevenção da Violência 2014. São Paulo, 2014. 274 p.

OLIVEIRA, Michele Morais et al. Marcas psicológicas da violência doméstica: análise de histórias de vida de mulheres de comunidades populares urbanas. Revista Textos & Contextos Porto Alegre, Porto Alegre, v. 8, n. 1, p.123-139, jul. 2009.

PASINATO, Wânia. Delegacias de Defesa da Mulher e Juizados Especiais Criminais: mulheres, violência e acesso à justiça. In: XXVIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS – ANPOCS, 28, 2004. Seminário. Caxambu, Minas Gerais: Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, 2004. p. 1 - 24.

PEDRO, Claudia; GUEDES, Olegna. As conquistas do movimento feminista como expressão do protagonismo social das mulheres. In: Simpósio sobre Estudos de Gênero e Políticas Públicas, 1, 2010, Londrina.

PEDROSO, Bruno et al. Cálculo dos escores e estatística descritiva do WHOQOL-bref através do Microsoft Excel. Revista Brasileira de Qualidade de Vida, Ponta Grossa, v. 2, n. 1, p.31-36, jun. 2010.

PEIXOTO, Aimê Fonseca; NOBRE, Barbara Paula Resende. A responsabilização da mulher vítima de estupro. Revista Transgressões: CIÊNCIAS CRIMINAIS EM DEBATE, Natal, v. 3, n. 1, p.227-239, maio 2015.

PEREIRA, Mariana da Silva; LINS, Lígia Paganotti. Da Violência Doméstica: a Lei Maria da Penha e a nova Lei do Feminicídio como qualificadora de homicídio. In: ENCONTRO DE INICIAÇÃO CIENTIFICA. Toledo, 2015.

PINTO, Céli Regina Jardim; PEDROZA, Regina Lucia Sucupira. Feminismo, história e poder. Sociol. Polít., Curitiba, v. 18, n. 36, p.15-23, maio 2010.

PORTAL BRASIL. 9 fatos que você precisa saber sobre a Lei Maria da Penha. 2015. Disponível em: . Acesso em: 10 ago. 2016.

PRAÇA, Maria Isabel Fernandes. “Qualidade de vida relacionada com a saúde: a perspectiva dos utentes que frequentam os Centros de Saúde do ACES Trás-os-Montes I Nordeste”. 2012. 150 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Gestão das Organizações, Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, 2012.

SAFFIOTI, Heleieth I. B.. Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2007. 152 p.

SAFFIOTI, Heleieth I. B.. O poder do macho. São Paulo: Editora Moderna Ltda, 1987. 120 p.

SANTOS, Maria Cristina Brito. Análise da Lei Maria da Penha e aplicabilidade da LEI 9099/95, 2008. Disponível em: . Acesso em: 07 ago. 2016.

SCHRAIBER, Lilia B; D’OLIVEIRA, Ana Flávia. Violência contra mulheres: interfaces com a Saúde. Comunicação, Saúde, Educação, v 3, n. 5, 1999.

SEIDL, Eliane Maria Fleury; ZANNON, Célia Maria Lana da Costa. Qualidade de vida e saúde: Aspectos conceituais e metodológicos. Caderno Saúde Pública, Brasilia, v. 2, n. 20, p.580-588, mar. 2004.

SEMINÁRIO DE CAPACITAÇÃO PARA JUÍZES, PROCURADORES, PROMOTORES, ADVOGADOS E DELEGADOS NO BRASIL, BRASÍLIA. Protegendo as mulheres da violência doméstica, 2006.

SILVA, Patrícia Aparecida Barbosa et al. Ponto de corte para o WHOQOL-bref como preditor de qualidade de vida de idosos. Revista de Saúde Pública, Minas Gerais, v. 48, n. 3, p.390-397, fev. 2014.

SLEGH, Henny. Impacto psicológico da violência contra as mulheres. 2006. Disponível em: . Acesso em: 12 out. 2016.

TAVARES, Dinalva Menezes Castro. Violência Doméstica: Uma questão de saúde pública. 2000. 113 f. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Saúde Pública, São Paulo, 2000.

VASCONCELOS, Tatianne Bandeira; NERY, Inez Sampaio. A ATUAÇÃO DAS DELEGACIAS DA MULHER COMO POLÍTICA PÚBLICA DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DE GÊNERO. In: V JORNADA INTERNACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS, 5, 2011, Piaui. 2011. p. 1 - 8.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.