PEDAGOGIA DA PERDA PATRIMONIAL: reconhecimento institucional e efeitos educativos na arquitetura modernista
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21754529Palavras-chave:
Pedagogia da perda patrimonial; Patrimônio cultural; Educação patrimonial; Arquitetura modernista; Políticas de preservaçãoResumo
Os processos de reconhecimento patrimonial envolvem dinâmicas de valoração simbólica, negociação institucional e legitimação social que definem não apenas o que é preservado, mas também o que permanece à margem das narrativas de memória urbana. A arquitetura modernista, especialmente em cidades médias brasileiras, ocupa posição vulnerável nesse cenário. Este artigo analisa um episódio recente em que um imóvel modernista recebeu parecer técnico favorável ao reconhecimento patrimonial, sem que a proteção se efetivasse, culminando em sua demolição. O objetivo é compreender como processos de não efetivação do reconhecimento patrimonial produzem efeitos educativos implícitos na relação da sociedade com sua cultura material. A pesquisa adota abordagem qualitativa interpretativa, articulando análise documental de parecer técnico elaborado pela autora no âmbito do conselho municipal de patrimônio e perspectiva reflexiva fundamentada em Bourdieu (2024). O referencial teórico dialoga com Choay (2017), Fonseca (2009), Pelegrini (2009) e Nora (1993). A análise demonstra que a dissociação entre fundamentação técnica e decisão institucional não resulta apenas em perda material, mas produz efeitos simbólicos duradouros, influenciando percepções coletivas sobre memória, identidade e valor cultural. Propõe-se a noção de pedagogia da perda patrimonial como chave interpretativa para compreender os processos educativos implícitos nas políticas de preservação. A cidade aprende não apenas com aquilo que preserva, mas também com aquilo que deixa desaparecer, naturalizando hierarquias culturais e restringindo as possibilidades de leitura crítica da historicidade urbana.Downloads
Referências
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